Com a volta às aulas, pais buscam material escolar e apostam no reaproveitamento em Santa Maria

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Com a volta às aulas nas escolas da rede estadual e nas particulares marcadas para a próxima semana, papelarias e lojas que comercializam material escolar já registram movimento desde janeiro em Santa Maria. Ainda assim, a expectativa dos lojistas é de que a procura se intensifique nos próximos dias. Em meio aos custos do começo do ano, muitos pais adotam uma estratégia cada vez mais comum: reaproveitar itens do ano anterior, como mochilas e estojos, e comprar apenas o que é essencial para a nova lista escolar.

Isso porque a variação de preços é muito grande, dependendo o item. Após uma pesquisa realizada em quatro estabelecimentos de Santa Maria (confira mais abaixo), é possível verificar que uma mochila, por exemplo, pode variar de R$ 50 a R$ 400 – o que representa uma diferença de 700%. 

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A tendência local acompanha um movimento nacional. Oito em cada dez brasileiros com filhos em idade escolar pretendem reaproveitar os materiais do ano passado, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro.  Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, avalia que "a parte otimista das conclusões obtidas é que esse movimento mostra mais planejamento do que desespero".

— As famílias estão ficando mais ‘profissionais’ em lidar com orçamento curto — afirma.

Movimento começa cedo, e deve aumentar nos próximos dias

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Na Clip Papelaria, no Centro de Santa Maria, o gerente Daniel Martins Ayres, 42 anos, explica que parte dos consumidores se antecipou ainda no fim de 2025, e que janeiro teve um ritmo mais tranquilo.

— No final do ano, o pessoal já deu uma adiantada, comprou um pouco. Quem sai de férias já quer deixar tudo pronto. Janeiro teve um movimento bom, mas foi mais calmo, porque muita gente está viajando – relatou Ayres.

Segundo ele, o cenário mudou logo no início deste mês.

— Esse movimento mais forte começa agora. Fevereiro é bem pegado, porque as aulas começam de forma gradativa, mas o início é sempre bem movimentado — projeta.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Apesar de muitos consumidores realizarem pesquisas de preço, Ayres observa que há um perfil de cliente fiel, que retorna à mesma loja por considerar o valor mais justo e pela praticidade.

— O pessoal vem aqui, acha que o preço é bom e já sai com tudo pronto, com a lista completa, sem precisar ir em outros locais – comenta.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Preços estáveis, mas atenção aos personagens

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Em um cenário de inflação e aumento no custo de vida, a manutenção dos preços é um fator decisivo para o consumidor. Na Clip, Daniel diz que a maior parte dos valores se manteve em relação ao ano passado.

— A gente trabalha com fornecedor direto e conseguiu manter cerca de 80% dos produtos com o mesmo preço do ano passado. Foi bem legal para passar um valor mais justo para o cliente — explica.

Ainda assim, o aumento nos custos do material escolar é uma realidade no país. De acordo com a Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae), os preços podem estar até 9% mais caros do que no ano passado. Esse impacto aparece principalmente em itens licenciados.

— Personagem sempre tem um valor mais alto. A gente percebe isso, mas são produtos que continuam saindo bastante. O Stitch está muito forte hoje na linha de cadernos e mochilas. Homem-Aranha e Barbie são clássicos, nunca saem de linha — diz o gerente.

Foto: Vinicius Becker (Dário)

Reaproveitar para equilibrar o orçamento

Para reduzir os custos, ela prefere comprar os materiais sozinha: — Se eu trago o pequeno, é o dia inteiro aqui dentro. Ele fala ‘mãe, quero isso, quero aquilo’. Se ele vem, a gente sai com um carrinho bem maior.Foto: Vinicius Becker (Diário)

A estratégia de reaproveitamento aparece de forma clara entre os pais que circulam pelas lojas. A militar da Aeronáutica Franciele Ziegler, 41 anos, comprava material escolar para os filhos Matheus, 10, e Pedro, 7, e resume bem essa lógica.

— Esse ano vou reaproveitar bastante coisa, como mochila, estojo e até as canetinhas que sempre sobram bastante. Inclusive, do mais velho, por ele estar maior, preciso comprar bem menos coisas — diz.

Já o filho mais novo, que vai iniciar o Ensino Fundamental, exige uma lista mais extensa.

— O pequeno precisa de bastante coisa ainda, muitas folhas. A lista é bem maior – explica.

Franciele afirma que pesquisou preços antes de decidir onde comprar e optou por uma loja já conhecida.

— Já dei uma olhadinha antes, mas aqui achamos mais em conta e com uma variedade bem vasta. Sempre optamos por comprar aqui, pois em um dia já fecha tudo, não precisa ir em outro lugar. Para quem tem o tempo curto, é ótimo.

Ela percebe que o aumento de preços pesa principalmente nos cadernos de personagens.

— Caderno aumentou bastante, principalmente os de personagem. Então, a gente tenta equilibrar: leva alguns com personagem e outros mais em conta. Já o básico ainda está com os preços em conta — diz.

No carrinho de Franciele, esses foram os materiais escolhidos para os dois filhosFoot: Vinicius Becker (Diário)

Essa percepção bate com os dados nacionais. A pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 89% das famílias apontam o material escolar como uma das principais fontes de impacto financeiro, seguido por uniforme (73%) e livros didáticos (69%). Para 88% dos brasileiros, os gastos com a volta às aulas afetam o orçamento familiar — número que sobe para 52% entre as classes D e E, onde o impacto é considerado muito grande.

— Aproximadamente 50% compra mochila e estojo todo ano. O restante reutiliza. Uma mochila de qualidade dura dois, três anos. Quem compra, já compra pensando nisso — comenta o gerente da Clip.

Foto: Vinicius Becker (Diário)


Não são só papelarias: lojas também entram na disputa

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Além das papelarias tradicionais, lojas de artigos gerais também disputam a atenção dos consumidores neste período. No Calçadão Salvador Isaia, a gerente da loja Sheik, Nicole Machado Fernandes, 26 anos, percebe um aumento significativo na procura, impulsionado pelo aumento da oferta e pelas promoções. Quem paga no Pix, por exemplo, ganha desconto.

— Neste ano, conseguimos trazer uma variedade maior de cadernos e mochilas. A procura também está maior em função das promoções da loja — relata.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Segundo ela, o movimento cresce conforme o início das aulas se aproxima.

Entre os personagens mais buscados, Nicole cita nomes que se repetem ano após ano.

— O Stitch sempre volta. Patrulha Canina está bem alta, Homem-Aranha e Sonic também — diz.

Já os preços das mochilas variam conforme o público.

— As mochilas juvenis e adultas partem de R$ 44,99, as infantis a partir de R$ 20. As mais caras chegam a R$ 149, que são os kits completos, com mochila, estojo e lancheira — detalha.

Foto: Vinicius Becker (Diário)


Média de preços com base nos quatro estabelecimentos visitados pela reportagem

  • Caderno 80 folhas – R$ 13,99 a R$ 40,99
  • Estojo – R$ 10 a R$ 90
  • Mochila grande – R$ 50 a R$ 400
  • Mochila pequena – a partir de R$ 29,99
  • Apontador – R$ 0,50 a R$ 1,99
  • Apontador temático – R$ 15
  • Cola branca (40 g) – R$ 4,50 a R$ 7,99
  • Cola branca (110 g) – R$ 12,99
  • Cola bastão – R$ 9,99 a R$ 12,99
  • Borracha – R$ 0,50 a R$ 19,99
  • Lápis de cor 12 cores – R$ 10,99 a R$ 45
  • Tesoura sem ponta – R$ 7,99 a R$ 19,99
  • Tinta guache 12 cores – R$ 12,99 a R$ 20
  • Caneta ponta média – R$ 2,25 a R$ 3,50
  • Marca texto – R$ 3,99 a R$ 16,99
  • Caneta hidrocor 12 cores –R$ 9,99 a R$ 40
Foto: Vinicius Becker (Diário)




Pesquisa do Procon RS aponta diferença de mais de 3.400% nos preços de materiais escolares

Na Livraria da Mente, os materiais mais procurados são lápis de escrever, blocos para anotar, lápis cor, tesoura, apontador e cadernos.Foto: Vinicius Becker (Diário)

Além das estratégias adotadas pelas famílias para reduzir gastos, um levantamento recente do Departamento de Defesa do Consumidor (Procon RS), vinculado à Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), reforça a importância da pesquisa de preços neste período de volta às aulas.

Realizada entre os dias 20 e 21 de janeiro de 2026, a pesquisa anual de preços de materiais escolares no Rio Grande do Sul identificou uma diferença superior a 3.400% entre a lista mais barata e a mais cara de itens básicos. Enquanto o conjunto com os produtos de menor valor totalizou R$ 36,78, a lista com os preços mais elevados chegou a R$ 1.304,28, considerando dez municípios gaúchos.

O levantamento analisou 20 produtos que integram uma lista básica de materiais escolares necessários para o início do ano letivo, como caderno, lápis de cor, borracha, tesoura, caneta esferográfica, estojo e papel sulfite, entre outros. A pesquisa foi realizada a partir do aplicativo Menor Preço Nota Gaúcha, que utiliza dados de notas fiscais emitidas pelos estabelecimentos comerciais e atualiza os valores em tempo real.

As cidades pesquisadas em 2026 foram Crissiumal, Dois Irmãos, Frederico Westphalen, Guaíba, Nova Candelária, Nova Petrópolis, Rio Pardo, Triunfo, Terra de Areia e XV de Novembro, municípios que não contam com unidades municipais do Procon.

Para o titular da SJCDH, Fabricio Peruchin, o período de volta às aulas exige planejamento financeiro por parte das famílias. Segundo ele, as variações de preço estão relacionadas a fatores como marca, fabricante, quantidade e região do Estado.

— Observamos que os valores dos produtos variam conforme os fabricantes, marcas, quantidades e até mesmo entre as regiões do Estado. Hoje, a pesquisa que sempre recomendamos aos consumidores também pode ser realizada sem sair de casa, pelo aplicativo Menor Preço Nota Fiscal Gaúcha, de maneira gratuita.

Em alguns estabelecimentos, há vantagens de descontos e parcelamentosFoto: Vinicius Becker (Diário)

Atenção

O Procon também chama atenção para práticas que ajudam a aliviar o orçamento. Materiais de uso coletivo ou comum, como produtos de higiene, pacotes de folhas para entrega à escola e canetas de lousa, não podem ser exigidos dos pais ou responsáveis, pois devem estar incluídos no custo da instituição de ensino e, consequentemente, na mensalidade.

Como denunciar irregularidades

Em caso de irregularidades, o consumidor deve procurar o fornecedor do produto e tentar solucionar a demanda. Se o problema persistir, a orientação é procurar o Procon Municipal da cidade de residência.

Consumo híbrido e avanço do digital

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Apesar da força das lojas físicas, que seguem como principal canal de compra para 45% dos brasileiros, o comportamento do consumidor está cada vez mais híbrido, segundo pesquisa feita pela Neotrust, empresa de inteligência de dados. Outros 39% pretendem combinar compras presenciais e online, enquanto 16% planejam adquirir a maior parte do material exclusivamente pela internet.

Esse movimento também aparece nos dados do varejo digital. O e-commerce de material escolar registrou um crescimento de 77,6% no faturamento em janeiro de 2025, de acordo com levantamento da Neotrust, empresa de inteligência de dados, indicando que os itens da lista escolar passaram a ocupar espaço central nas estratégias do comércio online.

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